Kramer contra Kramer -
Sinopse
Para Ted Kramer, o
trabalho vem antes da família e Joanna, sua mulher, descontente com a situação,
sai de casa, deixando Billy, o filho do casal, com o pai. Ted, então, tem de se
preocupar com o filho, dividindo-se entre o trabalho, o cuidado com ele e as
tarefas domésticas. Quando consegue ajustar-se a estas novas responsabilidades,
Joanna reaparece exigindo a guarda da criança. Ted, porém recusa-se e os dois
vão para o tribunal lutar pela custódia de Billy que é entregue a Joanna. No
dia marcado para ir buscar Billy a casa de Ted, e já à porta do prédio, decide
não sujeitar o filho a uma nova etapa de instabilidade. Entra para comunicar a
sua decisão e todos ficam a ganhar.
Pai,
ouve-me!
Personagens
CAIO, homem
jovem, alegre e feliz, aguarda, numa sala de partos, o nascimento do seu
primeiro filho. Sente-se absolutamente preparado para o receber.
HUGO, o
filho, coração e mente cheios de sabedoria, tem urgência em ter uma conversa
com o pai antes de nascer.
Ato
Único
O ventre que acolhe Hugo,
por pouco mais tempo, irradia uma luz quente e intensa. Um foco potente ilumina
Caio, que agarra carinhosamente a mão da mulher.
HUGO
(Em
tom perentório)
Pai,
não te assustes, eu quero falar contigo.
(Caio
levanta-se e olha admirado para a barriga da mulher, notando uma forma
repentinamente diferente. Sorri perplexo.)
HUGO
 |
| Pai, eu quero falar contigo. |
(Decidido
a fazer-se ouvir)
Não
falta muito para eu nascer e eu preciso de te ensinar umas coisas. Quando nos
olharmos olhos nos olhos, passarei a ser por muito tempo uma criatura desprotegida.
Agora, ainda tenho a sabedoria primordial deste paraíso em que me encontro.
CAIO
(Puxando
a mão da mulher ao peito.)
O que se passa, Guida?
HUGO
Pai,
deixa a mãe. Ela precisa de estar tranquila para que a naturalidade deste ato
não se desvaneça.
CAIO
Seja,
filho. Mas não te preocupes, eu e a tua mãe fomo-nos preparando muito bem para
sermos pais conscientes…
HUGO
Sim.
Eu sei que me vais dar banho, vestir, mudar a fralda e essas coisas…
CAIO
Claro…
HUGO
Mas,
olha, se um dia eu quiser ser um cachorrinho, tu fazes de cão grande para
brincarmos? Se eu quiser pintar com as mãos, tu depois tiras-me a tinta toda?
Vais ser capaz de fazeres de pai natal na escola e em casa? Vais ter paciência
para brincares às escondidas no nosso pequeno apartamento? Vamos poder fazer
piqueniques com muita aventura e apenas a comida suficiente?...