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E
o corpo é um barco ancorado a uma liberdade a perder-se…
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Cruzam-se
as palavras na noite comprida
Sem
soletrar à alma que o mundo se esvazia pelas dobras das mãos…
Engolem-nos
os sonhos
Caiem
de cansaço
Estreitam-se
amargas pelas paredes
Que
os dias desluzem…
Gritam-nos
dores persistentes
Entranhadas
e abafadas na pele…
Muralham-nos
os olhos
Vestem-nos
de ruas sombrias
Peregrinos
de esquinas encurtadas ao tempo…
Rotina
que marca um silêncio mastigado…
Um
despejo das garras dos abutres
Soterram-nos
a palavra que dançava na garganta
O
fulgor dos dias claros
Secam-nos
as lágrimas
Emudecem-nos
as palavras
Arrastam-nos
já áridos por um rio a fugir-nos do rosto
E
o corpo é um barco ancorado a uma liberdade a perder-se…
Somos
o medo desmemoriado de Ser…
Rosa Fonseca ©2014,Aveiro,Portugal
