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quarta-feira, 31 de maio de 2017

UMA ESTRELA

© Maria Celeste Salgueiro

A noite era linda,
A noite era quente,
Brincava na praia
Feliz e contente.
Brilhavam as conchas,                   
...caiu uma estrela/ na água parada
Brilhavam os búzios,
À luz do luar.
Eu fiz uma cova
Na areia dormente
P´ra dento meter
Todo inteiro o mar!
Eu ia levando a água p´ra lá
Mas sem conseguir.
A água sumia
E a cova ficava de novo vazia.
Minha Mãe olhava,
Olhava e sorria.
Mas eu não cansava e não desistia.
Porém, de repente, caiu uma estrela
Na água parada
Que estava na cova.
- Olha Mãe, que bela!
Brilha intensamente!
Depois fui embora.
Mas, pela vida fora, 
Fui sempre sonhando,
Sonhando acordada
E sem desistir
De agarrar os sonhos
Que a vida me dava.
E quando me sinto às vezes cansada
E sem persistência
P´ra continuar,
Recordo essa estrela
Que eu deixei um dia
Na cova da praia
E vejo-a a brilhar!...                           

Maria Celeste Salgueiro ©2017,Aveiro,Portugal

segunda-feira, 20 de março de 2017

SER POETA

© Maria Celeste Salgueiro




Ser poeta é de todos ser dif´rente,
Ver para além das coisas a beleza;
Sentir o coração da natureza
Pulsar dentro de si intensamente! 

É sem poder voar ir sempre em frente,
Nas mais pequenas coisas ver grandeza;
É cantar, versejar como quem reza,
Querer atingir na vida o transcendente!

É amar sem limites, sem ter freio,
Sentir que nada acalma o seu anseio,
Dentro de si mil sonhos a florir!

É ver em cada estrela o infinito,
Lançar pela amplidão imenso grito
Para que todo o mundo o possa ouvir!...  




Maria Celeste Salgueiro ©2017,Aveiro,Portugal        

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O SOL NA MÃO

©Maria Celeste Salgueiro


Um dia fui contigo passear.
Era um dia de verão ameno e quente.
À nossa volta apenas céu e mar...
O Sol era no alto um facho ardente!

Começaste a correr e a brincar.
De te ver tão feliz fiquei contente.
- Avó , olha estes peixes a saltar,
Olha esta estrada de oiro à tua frente!

Mergulhaste nas ondas sem dizer.
Deixei por um instante de te ver,
Depois, de mãos em concha, tu surgiste!

- Avó,trouxe p´ra ti o mar dourado!
E teu olhar brilhava de encantado...
Tive o Sol na mão, quando me sorriste!

Maria Celeste Salgueiro ©2016,Aveiro,Portugal

domingo, 1 de maio de 2016

AMOR DE MÃE

 ©Maria Celeste Salgueiro 




Deste-me, minha Mãe, a vida, o ser.
Foste na minha infância o sol, o guia;
Ensinaste-me a andar, a escrever,
A ver, além das coisas, a poesia!

Foste a amiga que todos sonham ter,
Pronta para ajudar em cada dia;
Foste o meu lenitivo no sofrer,
Comigo te alegraste na alegria!

Tu deste-me um amor ilimitado
Que nada pede em troca, dá sómente,
Como outro assim não há desinteressado.

Hoje o pranto é um rio que inda corre...
Mas, minha Mãe, tu estás sempre presente,
Quem é sempre lembrada, nunca morre.


Maria Celeste Salgueiro ©2016,Aveiro,Portugal

segunda-feira, 21 de março de 2016

POESIA

Maria celeste Salgueiro


Atravessando a noite dos meus dias
Vens até mim sem eu te pressentir
Rasgando o nevoeiro à minha frente...
Vens na luz dum poente,
No aroma de uma flor
Escorrendo de um muro;
Numa sílaba que caminha
Para o coração dum poema;
No ar que tremula
A desfazer-se em luz;
Num grito de gaivota,
Num riso de criança,
No brilho das folhas
Molhadas pela chuva;
Na luz do sol a prumo,
No luar que eu piso no caminho;
No rumor dos pinheiros
Abraçados pelo vento;
No mistério das coisas
Onde o silêncio estremece...
Porém, como vieste doce e calma,
Sem eu te pressentir,
Assim também partiste,
Deixando na minh´alma
Janelas por abrir!...


Maria celeste Salgueiro ©2016,Aveiro,Portugal

domingo, 14 de fevereiro de 2016

NA LUZ DO TEU OLHAR

Maria Celeste Salgueiro



Com a janela aberta
Eu estava suspensa
Em silêncios de espera...
Era uma noite calma,
Noite de Primavera
Que fazia sonhar...
O ar estava parado,
Não se ouvia um ruido.
A lua derramava a sua luz
Nas pedras da calçada.
Não havia ninguém
Na sombra rente ao muro
Lembrando uma serpente.
Mas eis que, de repente,
O vulto que eu esp´rava apareceu.
Um som surdo de passos
Encheu a minha rua
Até que tu surgiste
Em frente da janela
Aberta par em par.
Meu coração bateu
Num ritmo apressado
Para depois parar.
E nessa noite calma,
Noite de Primavera
Brilhante de luar,
Deixei de estar suspensa
Em silêncios de espera
Para ficar suspensa
Na luz do teu olhar!...


Maria Celeste Salgueiro ©2016,Aveiro,Portugal

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

UM SORRISO

Maria Celeste Salgueiro

E tenho ainda o sol na minha mão

Qual principe de sonho tu surgiste
E eu fiquei suspensa e encantada;
A minha solidão tu invadiste
E logo a minha vida foi mudada!

Tive o sol na mão quando me sorriste,
Mudou-se a noite escura em alvorada;
Com uma seta de ouro me atingiste,
Depois seguimos ambos na jornada!

O tempo foi passando e nos marcou.
Há rugas no teu rosto que mudou
Mas que eu vejo através do coração.

E quando volto atrás em pensamento,
Eu sinto aida o mesmo encantamento,
Eu tenho ainda o sol na minha mão!...


Maria Celeste Salgueiro ©2016,Aveiro,Portugal

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

QUANDO EU PARTIR

Maria Celeste Salgueiro 

Se recorde de mim

Quando eu partir
Eu sei que vou deixar
Janelas por abrir,
Coisas inacabadas
Que para meu pesar
Não tiveram um fim,
Ficando mergulhadas
Em denso esquecimento.
Porém no meu jardim
Tudo continuará
Como era antigamente:
A velha cameleira
De novo vai florir
Em cada primavera;
As flores de buganvilia
Vão abraçar o muro
Todo em branco caiado,
Lançando o seu perfume em todo o lado;
As pombas a arrulhar
Vão fazer o seu ninho no beiral.
Tudo será igual.
Só eu lá não estarei
Sentada no meu banco.
Tantas recordações
Voando pelo ar!
Talvez meu pensamento
Lá fique a vaguear
Pelas áleas do jardim.
Talvez por mero acaso
Alguém que por lá passe
Se recorde de mim!...

Maria Celeste Salgueiro ©2015,Aveiro,Portugal

domingo, 31 de maio de 2015

ILUSÃO

Maria Celeste Salgueiro
Na alma uma ânsia de tudo aprender!

Eu já fui criança de bibe e calção,
Com outras crianças alegre a correr;
No pátio da escola jogando o pião,
Na alma uma ânsia de tudo aprender!

Recordo o meu mestre de vara na mão
Impondo respeito, voz alta a dizer
“Isto é como um jogo, ouçam a lição,
Vão ver como é fácil a arte de ler”.

Dizia a verdade, foi quase a brincar,
Podia as palavras enfim decifrar!
Que grande alegria, que orgulho  profundo!

Naquele momento eu era o melhor,
A vida era bela e o sol com mais cor,
Julguei que podia ser dono do mundo!

Maria Celeste Salgueiro ©2015,Aveiro,Portugal

sexta-feira, 1 de maio de 2015

DEDOS DE FADA


Maria Celeste Seabra


...saciam a sede da jornada

Dedos que a Vida tocam com amor,
Teus dedos são, assim, dedos de fada,
Tornando menos dura a própria dor,
Suavizando as pedras da calçada!

Dedos que levam água no calor
E saciam a sede da jornada;
Dedos que têm asas de condor
E transformam a noite em alvorada!

Dedos que traçam sulcos na distância,
Que orientaram toda a minha infância,
Fazendo dela um hino, uma canção!

Minha Mãe, eu te lembro com saudade
E hoje sinto ainda a suavidade

Dos teus dedos de fada em minha mão!

Maria Celeste Seabra ©2015,Aveiro,Portugal

quinta-feira, 19 de março de 2015

MEU PAI

Maria Celeste Salgueiro





Levavas-me contigo a passear,
Em volta , a Primavera toda em flor;
Ensinavas-me a ver, a decifrar
A alma do jardim a arder em cor!

Descias ao meu nivel p´ra brincar
Como duas crianças sem temor;
Tinhas sempre uma história de encantar
Que eu gostava de ouvir em pormenor!

Partiste mas ainda estás presente;
Ensinaste-me o bem e a verdade,
A nunca desistir, ir sempre em frente

Teu exemplo de vida ecoa forte,
Teu amor está comigo na  Saudade,
Serás sempre o meu guia e o meu norte!

Maria Celeste Salgueiro ©2015,Aveiro,Portugal

sexta-feira, 13 de março de 2015

A MINHA MÁGOA

“Passamos a vida desperdiçando vidas” – Mia Couto


Maria Celeste Salgueiro


Sinto mágoa daquilo que não sei!
Mágoa de ter vivido sem viver,
De me lembrar de tudo o que olvidei,
De ter sofrido sem saber sofrer!

Mágoa das alegrias que gozei
E não soube gozar nem fiz render;
Mágoa de toda a luta que encontrei
E não tive coragem p´ra vencer!

Mágoa de ter mentido sem mentir,
E ter ditto a verdade sem saber
Que era verdade o que dizia a rir!

Mágoa de ter chorado sem chorar,
De acreditar e, afinal, não crer,
De ter amado sem saber amar!

Maria Celeste Salgueiro ©2015,Aveiro,Portugal

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A CAMÉLIA

Maria Celeste Salgueiro 

Ela estava ali na minha frente envolta pelo sol da manhã. Apenas uma flor, uma camélia vermelha em cima duma mesa, aberta ao meu olhar. Lembrei a sua origem asiática, o seu forte significado de flor emblemática, inspiradora de emoções, afecto e devoção.
...voltei à minha infância e adolescência
Mas não foram esses atributos que me cativaram. À volta dela tracei um círculo invisível fora do tempo e do espaço onde ela ficou presa. Ela transmitia-me paz, alegria, deslumbramento, estabelecendo uma aliança entre o passado e o presente.
Olhando-a eu voltei à minha infância e adolescência. Revi nela a cameleira centenária plantada no meu jardim pelo meu Avô e que em todas as primaveras, transbordando de cor e de beleza se transformava na rainha do jardim. As suas camélias enfeitavam a nossa casa e a nossa mesa no dia dos anos do meu Pai e à sua sombra eu brinquei e até troquei o meu primeiro beijo de amor.

Por isso, ao ver aquela camélia envolta pelo sol da manhã, com todo o seu peso simbólico que me trouxe à memória a cameleira centenária plantada pelo meu Avô, eu senti uma paz, uma alegria, um deslumbramento que me deixaram presa num círculo mágico fora do tempo e do espaço, onde o passado ficou suspenso!



Maria Celeste Salgueiro ©2015,Aveiro,Portugal

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ONDE É QUE ESTAVA A POESIA

Maria Celeste Salgueiro

Era o dia nacional da POESIA. Acordei feliz, disposta a tirar o melhor partido da data e tentar encontrar a POESIA nas mais pequenas coisas.
O dia estava lindo, o sol brilhava radioso num céu sem nuvens e tudo parecia perfeito. Deixei os meus problemas fechados numa gaveta, e, de cabeça liberta, lancei-me para a rua, caneta e lápis na mão para poder anotar tudo o que me chamasse a atenção.
Comecei a procurar. A cidade estava um caos, as ruas em confusão, só buracos, pedras soltas, só poeira à minha frente. Onde é que estava a POESIA? Devia estar escondida ou mesmo até soterrada com tanta obra pendente. Fui ao jardim onde o verde transbordava em profusão. Porém só desolação havia naquele espaço com as flores a definhar e o lago escuro e baço. Onde é que estava a POESIA que não a podia achar?
Meti-me no turbilhão de ruas a abarrotar de gente muito apressada e carros sempre a
...nos olhos de uma criança
encontrei-a nesse dia!
apitar. Então vi uma criança de boné e de sacola que regressava da escola muito contente a cantar. Pegou-me logo na mão e seguimos devagar, lado a lado a conversar.
Vês estas folhas no chão? Fazem música ao calcar. Olha o sol a rebrilhar no lago do meu castelo e os cavaleiros em volta. Já viste um quadro mais belo? Olhei para o chão pasmada. O lago era água parada, baça, escura, sem ter nada. O castelo era uma pedra e os cavaleiros formigas! Reparei no seu olhar: era azul , todo candura. Vi dentro o céu e o mar e o sol nele a sorrir.

E eu que perdera a esperança de descobrir a POESIA, nos olhos duma criança encontrei-a nesse dia!

Maria Celeste Salgueiro ©2015,Aveiro,Portugal

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Prece ao Novo Ano


Maria Celeste Seabra




Mais um ano que acaba de ruir
Qual folha que o Outono derrubou;
Mais um ano que acaba de partir,
Mágoa que foi, Saudade que ficou!

Mais um ano que vem, prece a sorrir,
Pela estrada que o outro já pisou;
Mistério a despontar, a ressurgir,
Entre as sombras do ano que passou!

Ano que vens nas brumas da incerteza,
Benvindo sejas tu pela grandeza
Dum sonho que tão alto me conduz!

Veja ou não satisfeito o meu desejo,
Benvindo pela esp´rança que em ti vejo,
Esp´rança a abrir em pétalas de luz!...


Maria Celeste Salgueiro ©2014,Aveiro,Portugal
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