O
moliceiro, o amante da ria,
Flutua
leve, silencioso,
Rompendo
a madrugada,
Rasgando
o manto misterioso
Da
neblina que os veste;
E
com a ajuda do sol nascente
Aparece
imponente à luz do dia.
Com
a sua proa pintada,
A
sua vela içada
Prenhe
de vento, de maresia
Vai
lavrando
As
salsas águas da ria.
O
moliceiro, o amante da ria,
Carrega
no seu ventre
O
húmus, a semente,
Que
fecunda a terra
Terra
que abraça a ria,
Rotunda
de seiva, de alegria.
