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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A PORTA DA LIBERDADE


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


No principiar de uma vida que tudo prometia, como mulher, sentia-me só tua.
Um aflorar de acontecimentos, a cada dia, desabrochava: era o nosso tempo primaveril.
Batias-me no meu coração de amor, e as tuas palavras afáveis enterneciam-me.
De repente, mudaste e tudo mudou – os meus olhos (cegos) pela paixão consumada não queriam enxergar a realidade nua e crua: deixaste de ser homem.
Usava, eu, uma venda invisível, e tu mostraste a capa que te protegia – e uma contracapa destrutível.
Deixei de te conseguir ler.
A tua voz serena, de outrora, perdeu-se.
Deixei de te conseguir ler
Mal abria a porta, a tua voz esbravejava, e perdia-se, a cada dia, a pessoa que tanto amava.
A tua voz atroava a minha alma perdida, por ti, para sempre esquecida.
Derruíste por dentro, humilhando-me como só tu gostavas de o fazer; afastaste-me dos meus amigos – e eu procuro, numa busca incessante e suplicante, em vão,   outros abrigos.
As nossas aventuras, outrora narradas, tornaram-se em dias inenarráveis: nada do que valha a pena ouvir.
Possuis um corpo infame: pesado e sem graça – tornaste-te na minha desgraça.
Livrar-me de ti tornou-se uma tarefa afanosa, diria, até mesmo, laboriosa.
Jamais me poderia prostrar perante uma pessoa que aguava por se vingar numa alma frágil e sensível.
A tua forma de ser (desabrida) levou-me a agir: um dia, fechei-te a porta na cara e LIBERTEI-
-ME.
Abri a porta: a da LIBERDADE.
Agora - sim, assumo a forma do que sou: MULHER DE VERDADE.
E o bater do meu coração sentiu um novo batimento: o da TRANSVERSALIDADE.


26-11-2013


Cristina Teixeira Pinto ©2014,Aveiro,Portugal

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Amizade – nome comum, abstracto…

Estamos a publicar textos subordinados à temática AMIGOS e AMIZADE. Colabore e remeta-nos o seu texto ou poema inédito para publicação. Ouse! A diversidade fortalece a amizade.  


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


Cristina Teixeira Pinto  

A ternura de um abraço

Nome comum abstracto que contraria a própria definição gramatical do seu conceito.
Se é um nome comum abstracto porque envolve afecto, tacto? Não poderia, esta palavra, passar a nome comum concreto, se a mesma é intransigente e carece de uma outra pessoa: um inquebrável tecto? Um tecto que nos abriga, um apego que não fatiga.
Corda que nos prende na ternura de um abraço; sem-abrigo me sinto, mesmo perdida, sem o teu ombro amigo – e perco-me num desvendável labirinto.
Palavras sinceras proferidas, por vezes, palavras que amargam: laço que nos une pela sinceridade: amizade de uma profunda lealdade.
Olhar gradeado por uma protecção – e nem soldando poderás derreter o que une o coração.
Longe - ou perto - nunca deixará de o ser: teu amigo; um amigo que pára para te escutar, aconselhar - tudo e algo mais tem para te dar; não é – de todo – um castigo: apenas a prova da vossa existência, aliança, ligação, como o cordão umbilical que vos deixou a marca do umbigo.
Projecto voluntário, não esforçado; nada pede em troca - mas faz bombear o coração – e, meticulosamente, toca.
Gesto que nos surpreende: termos, ao lado, alguém que nos entende.
Sem ti, meu ombro amigo, o que seria de mim? Uma vida solitária infinita, interminável – e viveria só como a primeira nota musical da flauta bisel: o dó.
A amizade não tem idade: fraternidade que nos fortalece: sentimento imaterial que nos enriquece.
A amizade cresce, rejuvenesce – e tudo acontece – e renasce para quem acredita, algures, numa outra vida, num outro lugar. E uma outra alma surgirá, ainda mais, fortalecida. E esta que seja a LEI DA VIDA, a nossa sentença anunciada numa cela partilhada.
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