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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Razões da minha fé



EVOLUIR agradece este texto para publicação

Filipa Lopes

Deitada, joelhos fletidos, Bic entre o polegar, indicador e o dedo médio. Escrevo, quase desenhando as letras e, confesso, não sei o que dizer acerca deste assunto. Nunca mo foi questionado, acho até, que nunca pensei nele. A fé é a certeza de que tudo se pode realizar. A minha, muitas vezes, é maior que as razões. Nunca fui fã da fome nem da falta de um cobertor. Nunca fui fã de guerra, sempre fui fã da paz. E, só para nós, sempre fui fã de um mundo melhor e vivo num mundo onde a probabilidade disso acontecer, diminui. Eu tive que me habituar a viver com a ideia de que o mundo é assim mesmo, tive que me habituar a encarar o mundo do jeito que ele é. Tive que encarar os meus dias como se fossem os últimos. Acho que é por isso que existimos, para viver. Para saber aproveitar o melhor de nós, o melhor da vida, senão tão pouco o pior. Quem sou? Porque me questiono? Porque existem motivos que me decepcionam? Além da minha rotina implicar comigo, por estar cansada de fazer sempre o mesmo, a minha mãe implica, porque o meu quarto está bagunçado ou porque cheguei tarde a casa. O meu pai implica, porque estou chata e rabugenta, e eu implico com o mundo. Implico com pessoas que preferem desistir ao persistir e conseguir. Sou o oposto do mundo. Em momentos da minha vida onde andava angustiada, dominada pelo medo e, quem sabe, pela pouca fé pensei em desistir, mas não o fiz. Existiu um motivo para tal. Existe sempre. Existe sempre alguém ou alguma coisa que nos fortalece, que nos faz acreditar que tudo pode acontecer, independentemente do tempo, da distância ou da ilusão de um sonho. Há sempre uma luz ao fim do túnel. A última esperança, o último grão de fé, porque havereis nós de desistir? Quanto aos outros, eu não sei, mas eu ainda aqui estou, forte e com uma sacola de fé dentro do bolso. Vivo para ser a diferença de muitos e a igualdade de outros. Vivo por mim e para mim. Vivo de fé, de esperança, de força e fraqueza, de medo e coragem, de felicidade e infelicidade, mas vivo. Vivo para acreditar que posso, que consigo.


Este artigo foi-nos enviado pelo professor da Filipa na Escola EB2/3 de Ilhavo. Outros textos podem ser consultados no blog cujo link identificamos:

Ao Prof. Filipe Tavares o nosso agradecimento.
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