terça-feira, 3 de junho de 2014

Indecisas Contradições

EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


Caminhante são as contradições                    
manhã azul
vontade de trabalhar
tarde pálida
silêncio grita libertar                                 
Decide-te...
acordas
levantas-te em amor
deitas-te
adormeces em dor
Caminhante
ser é fantástico
ser é sofreviver
sempre ser é utopia
deixar de ser é agonia
Decide-te
sonhas que entras
acordas que não queres
vives que consentes
deitas-te que não te interessas
umas vezes mereces
outras vezes merecem
cedes
cedem
somos
seres que se contradizem
todos os dias
a todas as horas
porque temos medo
porque amamos
e queremos ser amados
a sábia humilde dolorosa consciência
que sozinhos somos nada
nem essência
Decide-te
preto e branco
sol e lua
bom e mau
puro e impuro
tão duro este duelo
entre ti e tu
queres ser bom mas não capacho
livre a pertencer a um lugar
este lugar plurar
incerto mas maravilhoso
Ó caminhante
que assim não o sentisses
que ruínas ficariam
se tua alma de gesso fosse?
Decide-te
se Deus ou o Diabo
vais falhando e decidindo
um dia é imenso
somos imensos
a contradição em movimento
a balança em perpétuo equilíbrio
és roda que gira
entre o arrependimento e a honra
por isso és humano
fraco e forte
e a terra gira
e tu também


Albertina Silva Monteiro ©2014,Aveiro,Portugal

4 comentários:

  1. Uma síntese do dilema do ser humano - um "caminhante" em permanente e perpétua oscilação entre os dois lados do caminho. Gostei muito, Albertina.

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  2. Profundo, doloroso e desconcertante. Revela com minúcia como o ser humano se retrata pleno de contradições e, por isso mesmo, se torna num ser indecifrável para quem o queira ver apenas superficialmente. A Albertina consegue com este poema refletir as duas faces de cada um: uma que corre e outra que se agarra. Resta saber qual delas mais se identifica com cada um de nós. Como sempre, gostei muito. Obrigada, Albertina

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  3. Obrigada, Maria Conceição e Albertina, pelas vossas palavras.

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  4. Engrenagens oscilantes da nossa humanidade...
    E esse oscilar acrescenta-nos mais humanidade...
    Já não há deuses, mas há HOMENS...

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